O coronel Fabrício Moreira de Bastos afirmou que chamou o ministro do STF Alexandre de Moraes de “centro de gravidade” em uma mensagem por considerá-lo fundamental na aproximação de confiança entre o Exército brasileiro e o Poder Judiciário. A declaração foi dada durante o interrogatório conduzido pela Procuradoria Geral da República (PGR), envolvendo também o coronel Bernardo Romão Correa Netto, na investigação do chamado núcleo 3 no STF, do qual ambos são réus.

Moreira explicou que elaborou um roteiro de ações para as Forças Armadas “por iniciativa própria”, direcionado aos comandantes militares. O documento sugeria medidas para tratar da “falta de coesão dentro da Força”, a necessidade de “alertar os comandantes militares”, a criação de um “gabinete de crise” e a execução de “ações concretas no campo informacional”. Este roteiro faz parte da denúncia da PGR contra os militares.

Um dos pontos do roteiro, destacado pela PGR, determina que “O Exército brasileiro deverá falar com o presidente do Legislativo e do Judiciário”, buscando “laços de confiança entre o presidente da República e o comandante do Exército”, tendo Alexandre de Moraes como o “centro de gravidade”.

O coronel ressaltou que o roteiro não tinha objetivos violentos, esclarecendo o conceito de “neutralização” das Forças Armadas, que consiste em causar temporariamente danos aos equipamentos de apoio logístico, para prejudicar operações inimigas, sem a intenção de eliminar o adversário. Moreira afirmou que sua motivação para criar esse roteiro foram as manifestações que ocorriam em frente a unidades militares, que, segundo ele, prejudicavam a imagem das Forças desde o segundo turno das eleições.

Moreira explicou que, como integrante do Centro de Inteligência do Exército, ele buscava estabelecer uma “unicidade de discurso” diante da falta de comunicação entre comandantes e tropas. O roteiro foi enviado em duas versões, com um intervalo de 49 minutos, na noite de 28 de novembro de 2022, após uma confraternização entre militares das Forças Especiais em Brasília.

Baseando-se no Manual de Fundamentos de Comunicação Social do Exército, Moreira afirmou que exibiu o roteiro apenas para Bernardo Romão. O teor das mensagens virou peça-chave no processo que investiga supostas ações ilegais dentro das Forças Armadas.

Núcleo 3 da investigação: militares acusados de promover ações táticas e monitoramento

O núcleo 3 inclui dez acusados, sendo nove militares e um policial, apontados pela PGR como responsáveis por ações práticas de monitoramento, neutralização de autoridades e tentativa de pressionar o alto comando do Exército a consolidar um golpe. Eles são acusados de coordenar operações no “campo” para influenciar decisões internas nas Forças Armadas.

Confira os réus do núcleo 3:

O interrogatório do núcleo 3 ocorreu após os depoimentos dos núcleos 2 e 4, e meses depois da oitiva do núcleo 1, que incluiu o ex-presidente Jair Bolsonaro. O andamento deste processo no STF oferece detalhes importantes sobre as investigações envolvendo militares e supostas tentativas de interferência política e institucional nas Forças Armadas.

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