A Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente) confirmou que a falta de um acordo para a redução da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros gerou uma grave instabilidade no mercado, deixando o setor à beira do colapso. Essa medida, anunciada pelo governo norte-americano, vem provocando cancelamentos em massa de contratos e a suspensão de embarques para os EUA.

Segundo a associação, aproximadamente 1.400 contêineres com produtos já embarcados estão em trânsito marítimo com destino aos Estados Unidos. Além disso, cerca de 1.100 contêineres aguardam embarque nos terminais portuários brasileiros, comprometendo a logística e aumentando a incerteza entre os exportadores. Diante do cenário, empresas têm adotado férias coletivas forçadas e planejam até desligamentos para tentar conter os impactos econômicos e preservar empregos.

Impactos da Tarifa de 50% nas Exportações Brasileiras aos EUA

A tarifa elevada integra uma política dos EUA para proteger sua indústria interna, atingindo uma vasta gama de produtos brasileiros, incluindo madeiras processadas, carnes e sucos. A medida criou um cenário desafiador para os exportadores ao mercado norte-americano, que é um dos principais destinos das exportações nacionais.

No segmento de sucos, especialmente de laranja, apesar de não haver relatos expressivos de cancelamentos ou atrasos nos embarques, a CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos) alerta para prejuízos estimados em R$ 4,3 bilhões causados pela cobrança excessiva. O aumento equivale a cerca de 456% em comparação aos impostos pagos na última safra, cuja tributação totalizou US$ 142,4 milhões.

Enquanto isso, o setor de piscicultura, representado pela PeixeBR, informa que não há pendências de contêineres nos portos e que as cargas foram devolvidas após a suspensão dos contratos. A tilápia, principal pescado exportado para os EUA, especialmente na forma de filé fresco enviado por via aérea, teve embarques ainda regulares até o final de julho, mas com suspensão anunciada a partir da última semana do mês.

O cenário se agrava no setor de pescados, conforme o relato da Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), que confirma o cancelamento total dos embarques para os Estados Unidos. Todos os pedidos realizados antes do anúncio da tarifa foram cancelados, acentuando a crise na cadeia de exportação.

Para as exportações de carne bovina, a Abiec menciona que não irá se manifestar sobre os impactos contratuais ou eventuais atrasos até a efetivação da tarifa em agosto. Contudo, o contexto já mostra consequências: desde o pico de exportações em abril, com 42.113 toneladas, houve uma redução de cerca de 62% nas exportações ao mercado americano, motivada pelas ameaças tarifárias.

Reação e Perspectivas na Economia Brasileira diante das Tarifas

Na véspera do início da aplicação das taxas alfandegárias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou que não pretende iniciar negociações diretas com o governo dos Estados Unidos para rever as tarifas, mostrando uma postura firme em relação à questão comercial entre os países.

Outros setores importantes, como o café e o segmento metalúrgico, ainda não emitiram posicionamentos oficiais sobre os impactos das tarifas norte-americanas nas suas exportações. O cenário segue dinâmico e preocupante para o comércio internacional brasileiro, afetando a cadeia produtiva e a estabilidade dos negócios.

Esse conjunto de dificuldades evidencia a necessidade de estratégias robustas para diversificação de mercados e fortalecimento das políticas internas que possam mitigar os impactos das medidas protecionistas adotadas por parceiros comerciais.

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