O estoque da dívida pública federal alcançou R$ 7,88 trilhões em junho de 2025, mostrando um crescimento de 2,77% frente a maio, quando estava em R$ 7,67 trilhões. Em termos nominais, o aumento foi de R$ 212,71 bilhões, segundo dados oficiais divulgados pelo Tesouro Nacional. Esse crescimento reflete a necessidade contínua do governo federal em financiar seu déficit orçamentário, que ocorre quando as despesas superam a receita obtida por meio de impostos, contribuições e outras fontes.
A dívida pública federal brasileira é um indicador essencial para a avaliação da saúde financeira do país, sendo observada atentamente por agências internacionais que avaliam o grau de investimento. Esse passivo inclui compromissos tanto no mercado interno quanto externo. Em junho, o saldo da dívida interna aumentou, enquanto a dívida externa teve uma ligeira redução. Veja os detalhes da composição do estoque da dívida:
- DPMFi (Dívida Pública Mobiliária Federal interna): subiu de R$ 7,36 trilhões para R$ 7,58 trilhões entre maio e junho de 2025;
- DPFe (Dívida Pública Federal externa): caiu de R$ 309,2 bilhões para R$ 302,1 bilhões no mesmo período.
O prazo médio da dívida pública federal se manteve relativamente estável, passando de 4,20 anos para 4,14 anos entre maio e junho de 2025, indicando modesta redução na duração média dos títulos emitidos. Para o contexto, em 2024 esse prazo era de 4,05 anos.
Dívida bruta em relação ao PIB
A dívida bruta do governo em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB) foi de 76,1% em maio de 2025, um aumento de 0,2 ponto percentual em comparação a abril, conforme dados do Banco Central. Em valores absolutos, essa porcentagem corresponde a aproximadamente R$ 9,3 trilhões, abrangendo a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que inclui não apenas a dívida federal, mas também os compromissos financeiros do Banco Central e as dívidas dos governos estaduais e municipais.
A metodologia do Banco Central para medir a dívida é mais abrangente, refletindo um panorama mais completo da dívida pública do país. Os dados referentes a junho devem ser divulgados em breve, possibilitando uma avaliação atualizada do cenário fiscal.
Reserva de liquidez da dívida pública
O chamado “colchão da dívida”, que representa os recursos disponíveis para o pagamento imediato dos compromissos financeiros, atingiu R$ 1,03 trilhão em junho de 2025. Esse valor representa um crescimento nominal de 19,64% em relação aos R$ 861,30 bilhões registrados em maio do mesmo ano.
Esse montante assegura a cobertura dos vencimentos da dívida por aproximadamente 8,44 meses, uma pequena queda frente aos 8,77 meses calculados em maio. Apesar da redução, a reserva continua sendo estratégica para garantir a estabilidade financeira do governo frente às obrigações de curto prazo.
Principais detentores da dívida pública federal
A composição dos detentores da dívida pública federal revela a diversidade dos investidores e instituições que absorvem esses títulos. Entre eles, destacam-se:
- 31,3% pertencem a instituições financeiras, que incluem bancos e outras entidades do setor;
- 23,1% são da Previdência, que utiliza esses títulos como forma de investimento seguro;
- 22,1% correspondem a fundos de investimento e outros fundos financeiros;
- 9,8% são detidos por investidores não residentes, ou seja, estrangeiros;
- 3,7% por seguradoras, que buscam segurança e rentabilidade para seus ativos;
- 3,0% pelo próprio governo;
- 7,0% estão classificados como outros, incluindo diversos investidores menores.
Essa distribuição evidencia a importância da dívida pública como instrumento financeiro para múltiplos setores, assegurando recursos para o financiamento das atividades estatais e para o funcionamento do mercado financeiro nacional.