Cinco dos oito senadores brasileiros encarregados de negociar a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos se reuniram neste sábado em Washington D.C. Os parlamentares presentes foram Marcos Pontes (PL-SP), Nelsinho Trad (PSD-MS), Tereza Cristina (PP-MS), Esperidião Amin (PP-SC) e Fernando Farias (MDB-AL).

Coordenada pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), senador Nelsinho Trad, a missão tem como objetivo restabelecer o diálogo institucional entre os legislativos do Brasil e dos EUA. “A iniciativa busca reabrir canais de comunicação em meio ao avanço das barreiras tarifárias unilaterais que afetam setores estratégicos da economia brasileira”, informou a assessoria do senador.

Enquanto os senadores mantinham uma reunião interna, o presidente dos Estados Unidos anunciou um acordo comercial com a União Europeia. O pacto estabelece tarifas de 15% para os produtos europeus, em troca de investimentos no valor de 600 bilhões de dólares no país americano, sendo 150 bilhões destinados ao setor energético.

Mesmo com o avanço desse novo acordo e a iminência da aplicação das tarifas americanas, programadas para começar em 1º de agosto, os senadores brasileiros não demonstraram pressa nas negociações com o governo republicano. Até o momento, não há confirmação de encontros formais com membros do alto escalão norte-americano.

A agenda inicial da comitiva brasileira nos Estados Unidos

No primeiro dia útil da missão, o grupo realizou um café da manhã de trabalho com a embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, e outros diplomatas brasileiros, além de uma reunião com empresários do setor privado norte-americano. Também ocorreram encontros fechados cuja participação não foi divulgada oficialmente.

Em uma reunião preparatória na noite anterior, os senadores alinharam os principais pontos a serem discutidos durante a missão. No entanto, ainda não existe interlocutores definidos na administração dos Estados Unidos para apresentar as demandas brasileiras.

Fotos divulgadas ilustram a reunião dos senadores, que se deu exclusivamente entre eles no hotel. A ausência de interlocutores americanos reflete um cenário incerto para o avanço das negociações.

Contexto das tarifas americanas e estratégias brasileiras

O aumento das tarifas para 50% incide sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, gerando preocupação no setor produtivo e comercial do Brasil. A data para implementação das multas foi marcada para o início de agosto, pressionando a delegação a elaborar uma estratégia eficaz para negociar a reversão ou mitigação desse impacto.

A missão, que permanecerá nos EUA até quarta-feira, conta ainda com a chegada prevista dos senadores Carlos Viana (Podemos-MG), Jacques Wagner (PT-BA) e Rogério Carvalho (PT-SE), completando a delegação oficial.

Apesar da proximidade da data limite para vigência das tarifas, a falta de encontros confirmados com altos representantes do governo Trump indica que o processo negocial ainda busca ganhar tração.

O presidente Donald Trump, ao mesmo tempo em que mantém a imposição das tarifas contra o Brasil, aproxima-se da União Europeia com um novo acordo econômico substancial, o que pode influenciar o posicionamento dos EUA em futuras negociações comerciais.

Reuniões internas como estratégia de alinhamento

O encontro fechado entre os senadores brasileiros reflete a necessidade de alinhamento e definição de prioridades antes de tentar contato com autoridades americanas. A falta de interlocução direta demonstra que o Brasil ainda busca estabelecer canais formais para tratar das tarifas e demais barreiras comerciais impostas unilateralmente.

Essa organização interna inclui revisões de dados e atualização sobre setores mais afetados, para oferecer uma abordagem sólida durante as reuniões com o setor privado e possíveis interlocutores governamentais americanas que possam surgir nos próximos dias.

Assim, a missão do Senado atua com a intenção de preservar os interesses do Brasil, tentando equilibrar o impacto das medidas americanas na balança comercial e na economia brasileira.

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