O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que o Brasil pode deixar de comprar dos Estados Unidos, pois o país norte-americano não demonstra intenção de manter uma relação comercial com o Brasil. A declaração foi dada em entrevista à rádio Serra Dourada FM, na Bahia, destacando a possibilidade de medidas recíprocas diante do tarifaço de 50% previsto pelos EUA sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.

“Se essas tarifas forem confirmadas e implementadas, certamente tomaremos medidas de reciprocidade. Se eles não querem ter relação comercial com o Brasil, nosso país pode buscar fornecedores em outros mercados”, declarou Rui Costa.

O ministro enfatizou que nenhuma nação se beneficia de uma guerra comercial. A estratégia do governo brasileiro inclui apoio aos produtores e empresas para minimizar os impactos iniciais. Além disso, o Brasil trabalha para redirecionar suas exportações a outros destinos.

“Estamos dispostos a dialogar, mas a conversa depende de interesse mútuo. Até o momento, os EUA não mostraram demonstrações claras de interesse em negociar.”

Rui Costa também ressaltou que emissários brasileiros enviados aos EUA encontram portas fechadas, com o tema sendo tratado exclusivamente pela Casa Branca, acesso que não tem sido concedido ao Brasil.

Regulação das Big Techs

Na entrevista, o ministro também defendeu a regulação das redes sociais, pertencentes às grandes empresas de tecnologia, conhecidas como big techs. Ele classificou como inaceitável que essas empresas lucrem com conteúdos ilegais e discursos de ódio veiculados em suas plataformas.

“É inadmissível que empresas ganhem dinheiro com vídeos de exploração infantil, pedofilia, crimes organizados, tráfico de drogas, calúnias e agressões raciais nas redes sociais”, afirmou Rui Costa.

As big techs, alvo de decisões judiciais no Brasil, foram mencionadas na carta de Donald Trump que anunciou o aumento tarifário contra produtos brasileiros.

Seis Meses de Isolamento Comercial

Desde o anúncio do tarifaço pelo ex-presidente Donald Trump, o governo tem tentado negociar sem motivações políticas ou ideológicas. Entretanto, a tensão não diminuiu, agravada por declarações controversas de autoridades brasileiras e decisões judiciais recentes, especialmente do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

O distanciamento permanece evidente, com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacando a ausência de reuniões com autoridades norte-americanas, como Marco Rubio, chefe do Departamento de Estado dos EUA.

O presidente brasileiro comentou que, diante das tarifas, o Brasil reagirá no jogo político-econômico, sugerindo que a ameaça dos EUA seria mais um blefe. Porém, ele também critica a dificuldade de diálogo, apesar de ter feito declarações duras contra Trump anteriormente, comparando-o a regimes autoritários.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *