SkyWest rejeita pagar tarifa de 50% sobre jatos da Embraer após anúncio dos EUA
O CEO da SkyWest, Chip Childs, afirmou que a companhia aérea norte-americana não pretende arcar com a tarifa de 50% imposta sobre os jatos da Embraer, caso a medida anunciada pelo governo dos EUA entre em vigor na data prevista. Segundo Childs, esta tarifa injustificável não deve afetar a previsão de produção para 2025, mas a empresa mantém firme a posição de não aceitar o custo adicional.
Em recente balanço financeiro, Childs destacou que a SkyWest tem intenção de receber as aeronaves compradas, porém existe “flexibilidade para adiar ou cancelar” as entregas diante da nova conjuntura tarifária. Desde junho, a SkyWest já firmou pedido de 60 jatos da Embraer, somados a outros 14 adquiridos anteriormente, totalizando 74 aviões previstos para entrega até 2032.
A pressão econômica das tarifas e a relação entre SkyWest e Embraer
A Embraer, gigante brasileira do setor aeroespacial, é uma das empresas mais impactadas pela tarifa anunciada. Seu CEO, Francisco Gomes Neto, ventilou reuniões recentes com autoridades do governo norte-americano, buscando alternativas para amenizar o impacto na aviação regional dos EUA, segmento em que a Embraer domina mais de 80% do mercado, transportando cerca de 5 milhões de passageiros por mês.
De acordo com Childs, esse cenário desfavorável deve acarretar atrasos nas entregas previstas para o terceiro trimestre de 2025, possivelmente movendo-as para o final do ano ou até 2026. Ele ressaltou que a estratégia da SkyWest baseada em flexibilidade na frota ajudará a enfrentar os desafios impostos pelas tarifas.
Além disso, Childs enfatizou as parcerias sólidas da SkyWest com a Embraer e outros fornecedores, mostrando o comprometimento mútuo em buscar soluções sustentáveis para superar o impacto macroeconômico das novas barreiras comerciais.
Impactos para o setor e perspectivas de negociação
O diretor comercial da SkyWest, Wade Steele, complementou afirmando que caso a tarifa seja implementada, a empresa buscará junto à Embraer e demais parceiros o adiamento das entregas até que o imbróglio tarifário seja solucionado. Segundo Steele, todas as partes envolvidas estão motivadas a colaborar para encontrar uma saída que minimize perdas e preserve as operações.
O CEO Childs também mencionou que cresce a compreensão sobre o impacto econômico negativo que essas tarifas trazem para a indústria e para os Estados Unidos como um todo, reforçando a intenção de seguir lutando para a reversão ou ajustes da medida tributária.
O cenário atual e consequências para a aviação regional
- A Embraer lidera a aviação regional dos EUA com participação superior a 80%.
- A tarifa prevista de 50% poderia trazer atrasos significativos nas entregas de aeronaves.
- A SkyWest mantém a intenção de receber as aeronaves, mas admite flexibilidade para cancelamentos.
- Existe uma negociação ativa entre SkyWest, Embraer e autoridades americanas para equacionar o problema.
- A situação gera preocupação no setor aéreo regional, que depende desses jatos para operação.
Enfim, o cenário colocado reforça a volatilidade dos mercados e como decisões governamentais podem afetar profundamente a cadeia de produção e abastecimento do setor aéreo regional, exigindo diálogo e adaptação constante.
Perspectivas para concessões e o futuro da parceria SkyWest-Embraer
Enquanto a data limite para a possível entrada em vigor da tarifa se aproxima, as relações entre as duas fabricantes e a aérea continuam pautadas na busca por soluções que preservem os benefícios comerciais de ambas as partes. A SkyWest destaca sua capacidade de adaptação diante do cenário macroeconômico adverso, mantendo negociações abertas para postergar entregas e evitar impactos irreversíveis.
O diálogo entre empresas e autoridades se mostra vital para evitar um cenário mais drástico que prejudique a cadeia produtiva e os milhões de passageiros que dependem das aeronaves regionais da Embraer operadas por companhias como a SkyWest.
Esse momento delicado reforça a importância de políticas comerciais equilibradas e da boa relação entre fornecedores internacionais e compradores, essenciais para a manutenção da competitividade e da dinâmica do mercado aeronáutico global.