O dólar encerrou o pregão com valorização de 0,52%, cotado a R$ 5,590, na segunda-feira antes do início das tarifas elevadas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A expectativa pela aplicação dessas barreiras tarifárias afeta diretamente o mercado financeiro.
Na mesma sessão, o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, registrou queda de 1,04%, fechando em 132.129,26 pontos, refletindo o clima de incerteza e apreensão dos investidores diante do cenário comercial adverso.
Durante o fim de semana, o governo dos EUA, sob a liderança do então presidente Donald Trump, alcançou um acordo tarifário com a União Europeia. O consenso reduziu a taxa inicial prevista de impostos para os produtos europeus de 30% para 15%, em troca de compromissos de investimentos do bloco europeu nos Estados Unidos.
No entanto, o Brasil não obteve flexibilização similar e terá tarifas elevadas de 50% sobre seus produtos a partir do dia 1º de agosto, conforme determinação do governo norte-americano, evidenciando um tratamento mais rígido na estratégia comercial dos EUA.
O governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já articula medidas para mitigar os impactos do chamado “tarifaço americano”. A equipe econômica trabalha sob a perspectiva de que a reversão dessa política é pouco provável, mesmo após o acordo da UE com os EUA.
Analistas políticos e econômicos dentro do comitê criado por Lula para enfrentar esse desafio afirmam que o tratamento diferenciado dado ao Brasil tem motivações políticas mais intensas do que as observadas nas negociações com a União Europeia.
O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou categoricamente que não haverá adiamento da cobrança das tarifas. Segundo ele, “a alfândega começará a recolher o dinheiro e pronto”, evidenciando a firmeza da medida.