As vendas de terras raras extraídas no Brasil para a China triplicaram no primeiro semestre em comparação com todo o ano anterior. De acordo com relatório do Centro Empresarial Brasil-China (CEBC), as exportações atingiram US$ 6,7 milhões nesse período, demonstrando um crescimento significativo mesmo diante de um volume ainda pequeno frente ao total exportado pelo Brasil para a China, que foi de US$ 47,7 bilhões no mesmo intervalo.

Embora os valores pareçam modestos diante do comércio bilateral expressivo, a importância das terras raras é estratégica, pois esses elementos são essenciais para indústrias tecnológicas, energéticas e militares. A disputa pelo controle e fornecimento desses recursos tem sido ponto nevrálgico nas tensões comerciais globais, especialmente entre China e Estados Unidos.

Terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos que possuem propriedades únicas indispensáveis para a fabricação de componentes de alta tecnologia. São usados especialmente na produção de ímãs permanentes potentes, que mantêm a magnetização por longos períodos e viabilizam a miniaturização de dispositivos, reduzindo peso e tamanho sem perda de desempenho.

Esse conjunto de elementos é vital para o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis, como veículos elétricos e turbinas eólicas, onde peças compactas e eficientes fazem toda a diferença na performance e no custo final. Por isso, o domínio da produção e exportação desse material confere enorme poder geopolítico, como demonstra o protagonismo da China no mercado global.

Produção e Reservas Brasileiras de Terras Raras

O Brasil detém uma das maiores reservas mundiais de terras raras, ficando em segundo lugar globalmente com 21 milhões de toneladas identificadas, segundo dados recentes do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Apenas a China possui reservas maiores, estimadas em 44 milhões de toneladas, reafirmando sua liderança na cadeia produtiva.

Apesar dessa riqueza natural, o Brasil ainda tem uma produção muito baixa, com apenas 20 toneladas extraídas em 2024. Esse volume é considerado modesto, colocando o país na última posição entre os principais detentores de reservas, o que evidencia o desafio de transformar potencial em capacidade produtiva.

Enquanto isso, a China produziu cerca de 270 mil toneladas de terras raras em 2024, um número que demonstra não só a amplitude de suas operações, mas também sua infraestrutura e investimento em tecnologia para extração e beneficiamento do material. Essa discrepância destaca a oportunidade significativa para o Brasil expandir sua produção e ganhar destaque no mercado internacional.

As reservas brasileiras, se devidamente exploradas e processadas, podem aumentar a competitividade do país, inserindo-o de forma mais decisiva nas cadeias globais de valor. Para isso, é necessário investimento em tecnologia, infraestrutura e políticas que incentivem a mineração sustentável e o desenvolvimento de mercados para esses minerais estratégicos.

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