O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara o lançamento de pelo menos seis novos projetos sociais até as eleições de 2026. Essas iniciativas, frequentemente destacadas pelo presidente como benéficas para diversos segmentos da população, buscam ampliar o amparo social e fortalecer o consumo interno. Conforme determina a Justiça Eleitoral, candidatos à reeleição têm até quatro de julho, três meses antes do pleito, para anunciar e divulgar medidas novas, intensificando o calendário de ações do governo.
Uma das prioridades da atual gestão é a aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 e a redução da alíquota para quem tem ganhos entre R$ 5.001 e R$ 7.350. Essa proposta, que foi promessa durante a campanha de 2022, está prevista para votação no Congresso até o fim de setembro, visando sua implementação em 2026. O impacto fiscal dessa medida já sofreu revisão para cima, com estimativas de perda de arrecadação subindo para R$ 31,3 bilhões no próximo ano, segundo relatório do relator da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
Investimentos Diretos na População e Linhas de Crédito
Além das mudanças tributárias, Lula aposta no aumento do poder de compra de camadas mais amplas da população, colocando recursos diretamente na mão das pessoas para estimular o consumo e impulsionar o Produto Interno Bruto (PIB). Entre as propostas estão linhas de crédito subsidiadas para reforma de residências e para entregadores adquirirem motos elétricas. Outro ponto que merece destaque é a intenção de ampliar o teto do programa Minha Casa, Minha Vida, atualmente limitado a financiamentos de até R$ 12.000, visando contemplar também a classe média.
Essa estratégia segue a premissa reiterada pelo presidente em seu terceiro mandato: concentrar muito dinheiro na mão de poucos gera desigualdade, enquanto distribuir recursos entre muitos gera prosperidade e crescimento social. O sucesso da economia durante o ano eleitoral costuma influenciar diretamente a popularidade do governo e o desempenho nas urnas.
Contexto Político e Críticas aos Gastos Eleitorais
Curiosamente, o próprio presidente e importantes membros de seu governo criticaram a prática de injetar recursos em benefícios específicos próximo às eleições, acusando essa manobra de ter sido utilizada de forma excessiva pela gestão anterior, do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), Bolsonaro teria realizado gastos excessivos e desordenados em 2022, na tentativa de garantir votos, o que também contribuiu para um desequilíbrio orçamentário de bilhões de dólares.
Em paralelo, o Ministério de Minas e Energia deve lançar um novo programa social, o Gás para Todos, marcado para o início de agosto. Essa iniciativa visa ampliar o acesso ao gás de cozinha, atendendo cerca de 16,6 milhões de famílias, número que supera em três vezes o público beneficiado atualmente pelo Auxílio Gás, hoje limitado a 5,4 milhões.
Revisão e Cortes no Bolsa Família
O Bolsa Família, principal programa social do governo, passa por um rigoroso pente-fino, intensificado desde a segunda metade de 2025. Entre junho e julho, cerca de 855 mil famílias deixaram de receber o auxílio, configurando o maior corte mensal desde o início do programa. Oficialmente, o Ministério do Desenvolvimento Social aponta que essa redução ocorreu devido ao aumento de renda dos beneficiários, embora surjam dúvidas quanto à naturalidade e organicidade desse volume expressivo de exclusões em curto período.
Oscilações na Popularidade e Reação Nacionalista
Lula registrou recente melhora em sua avaliação popular, apoiado principalmente pela reação contra a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), que anunciou a aplicação de tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. O endurecimento nessa relação comercial foi explorado politicamente pelo governo, que reforçou uma postura nacionalista e de defesa da soberania econômica brasileira.
Pesquisa divulgada recentemente apontou uma queda nas taxas de desaprovação do governo federal, caindo de 57% para 53% entre maio e julho, enquanto a aprovação surpreendentemente subiu de 40% para 43%. Essa mudança positiva ocorreu especialmente fora das tradicionais bases de apoio do PT, um indicativo importante para o cenário eleitoral. Especialistas atribuem essa mudança a três fatores: o embate direto de Lula contra a tarifação imposta pelos Estados Unidos, a melhora na percepção da economia doméstica e uma campanha política que reforça a polarização “nós contra eles”.
- Conflito diplomático entre Lula e Donald Trump;
- Percepção otimista sobre a situação econômica;
- Campanha política intensificada baseada na polarização.
Grande parte da população (79%) acredita que a tarifa americana causará prejuízos em sua vida cotidiana, e 72% concordam que a medida foi equivocada, especialmente ao associar a punição ao ex-presidente Jair Bolsonaro.